A era do “fun consumption”: 2027 vai premiar marcas que criam alegria

5 min de leitura

O terceiro bloco da palestra foi, sem dúvida, o mais transformador. Carla apresentou o conceito de fun consumption, o desejo crescente por experiências que tragam leveza, e a energia da sala mudou imediatamente.

Ela começou lembrando algo que todos sentimos no dia a dia: vivemos em uma policrise. É notícia ruim atrás de notícia ruim, ansiedade constante e a sensação de que nada está sob controle. Além disso, como resposta, o consumidor está fazendo algo simples, porém profundo: está desligando.

Não por escapismo. Por sobrevivência emocional.

Se o mundo lá fora pesa, o consumidor decide onde vale a pena colocar sua energia. Ademais, é nesse contexto que surgem os glimmers, termo usado pela WGSN para descrever micromomentos de alegria que restauram uma sensação mínima de bem-estar.

E é por isso que o fun consumption está crescendo: o consumidor não busca apenas produtos, mas sensações.

Carla resumiu brilhantemente: as pessoas lembram menos do que compram e mais de como se sentiram comprando.

Esse shift emocional muda completamente a lógica de marca:

  • experiência vira diferencial,

  • humor vira ferramenta estratégica,

  • leveza vira ativo de confiança.

Em suma, não é sobre transformar tudo em piada. É sobre permitir que, por alguns segundos, a vida fique menos pesada.

Alegria é o novo básico

Um ponto importante da fala de Carla é que ela não romantiza o fun consumption. Diversão não precisa ser grandiosa, ela pode ser cotidiana, pequena, quase invisível.

Pode estar em:

  • um detalhe de embalagem que surpreende,

  • um ritual bobo que vira afeto,

  • um produto que parece meme,

  • um momento inesperado no funil.

Em resumo: brand experience como antídoto para um mundo cansado.

Exemplos simples que explicam o fun consumption na prática

Os cases apresentados por Carla tornaram tudo cristalino: alegria pode ser estratégica e extremamente simples de executar.

Bose: a caixa de som em formato de manteiga

A embalagem imita um tablete de manteiga. Dessa forma, é uma brincadeira visual mínima, mas que gera sorriso. E esse sorriso muda a memória da marca.

Kodak: chaveiro fotográfico

Um objeto pequeno, tátil e nostálgico. Parece um “brinquedo útil”. Outro glimmer que viraliza porque desperta afeto.

Red Chamber x Heinz

Uma collab improvável, divertida e altamente compartilhável. Fun consumption puro: surpresa, identidade pop e humor.

Lick Paint x Heinz

 

Assim, transformar tinta, algo sem apelo emocional, em um produto divertido, instagramável e quase colecionável faz toda a diferença.

Da mesma forma, a Nintendo traz isso no despertador gamificado. Para desligar o alarme, a pessoa precisa levantar e, então, ganha uma pequena comemoração. É, portanto, literalmente o primeiro glimmer do dia.

Em resumo, enquanto eu assistia, pensei: isso é branding na veia, porque responde à maior dor contemporânea: viver no automático.

Por que o fun consumption vai explodir até 2027?

Porque a fadiga emocional é estrutural e não vai embora tão cedo.

Independentemente do cenário econômico ou do avanço tecnológico, o consumidor está esgotado. E, por isso, vai priorizar marcas que:

  • poupam energia emocional,

  • reduzem fricção,

  • oferecem respiro,

  • tornam a rotina menos pesada.

Foi nesse ponto que Carla cravou a frase que mais marcou o bloco e, por isso, resumiu toda a tendência em uma sentença: “We need to shift from marketing to entertainment.”

Além disso, em 2027, campanhas bonitas e distantes não competem com TikTok, creators ou conteúdo útil.
Ou você entretém, ou você some.

Como aplicar fun consumption sem cair no marketing superficial?

Essa é a fronteira delicada. Com isso, fun não pode ser artificial, genérico, nem desconectado do DNA da marca. Para funcionar, precisa de método:

  1. Compreender a emoção do consumidor, não só seu comportamento.

  2. Mapear os pontos mundanos da jornada, onde um glimmer pode fazer diferença.

  3. Criar micro momentos de alegria intencionais, e não aleatórios.

  4. Medir impacto em métricas que realmente importam: repetição, NPS, retenção, share of search.

Alegria não é estética. Alegria é estratégia de memória, preferência e recompra.

Onde a Nagata & Gasparini entra

O maior risco do fun consumption é tratá-lo como “ideia criativa isolada”. Na prática, criar alegria exige estrutura. A N&G apoia marcas a:

  1. Conectar estratégia com cultura real do público
    O fun só funciona quando fala a língua do consumidor.

  2. Transformar experiência em sistema, não em evento
    Alegria recorrente constrói lealdade.

  3. Medir o impacto real no funil
    O glimmer certo reduz CAC, aumenta conversão e gera boca a boca espontânea.

Menos campanha. Mais ecossistema.

Conclusão

Em resumo, saí desse último bloco com uma certeza: o futuro não será movido apenas por tecnologia ou eficiência. Será movido por leveza.

Em um mundo cansado, marcas que criam alegria serão mais lembradas, mais escolhidas e mais defendidas. Por isso, talvez seja isso que Carla quis dizer ao finalizar: afinal, o consumidor vai premiar quem devolve a ele a capacidade de sorrir.

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